O filme O Diabo Veste Prada 2 estreou nos cinemas brasileiros no final de abril e já movimenta o público que cresceu desde o lançamento do primeiro filme, além de fazer sucesso com uma nova geração que chegou ao blockbuster pelo caminho das redes sociais e das listas de "filmes que você precisa assistir". No primeiro fim de semana, a sequência arrecadou mais de US$ 233 milhões ao redor do mundo, bem acima dos US$ 27,5 milhões que o filme original havia estreado no mercado norte-americano em 2006. Os números confirmam o que muita gente já intuía: o universo de Miranda Priestly não envelheceu. A trama da sequência acompanha Miranda num momento de mudanças profundas na moda e na indústria de publicações. Lidando com o colapso do jornalismo impresso, ela precisa enfrentar mais um obstáculo. Emily, sua ex-assistente, agora executiva de alto escalão numa marca de luxo, é a responsável por decisões publicitárias que Miranda precisa desesperadamente conquistar. Andy, por sua vez, realizou seu sonho de se tornar jornalista investigativa e volta à órbita da Runway de um jeito que ninguém esperava. São personagens vinte anos mais velhos, com mais história e menos ilusões, o que, no fundo, é exatamente o que o público também acumulou desde 2006. As filmagens ocorreram entre junho e outubro de 2025, em Nova York e Milão, com o diretor David Frankel e a roteirista Aline Brosh McKenna retornando ao projeto. Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci voltaram aos seus papéis. O livro antes do filme A história de sucesso de O Diabo Veste Prada começa em 2003, quando Lauren Weisberger publicou o romance que daria origem ao filme. Formada em língua inglesa pela Cornell University, Weisberger havia entrado na Vogue no fim dos anos 1990 como assistente de Anna Wintour. O trabalho envolvia uma rotina de pressão constante e exigências que beiravam o absurdo, material que ela foi acumulando em silêncio até ter tempo e distância para transformar em ficção. Depois de deixar a revista, trabalhando na publicação Departures da American Express, ela começou a escrever à noite. Foi assim que o manuscrito de O Diabo Veste Prada tomou forma. A Miranda Priestly do livro tinha endereço conhecido. Anna Wintour, editora-chefe da Vogue americana, era a referência que ninguém precisava nomear. A reação de Wintour foi tão estratégica quanto a personagem que inspirou: ao comparecer à première do filme vestindo Prada, ela deslocou a narrativa. Em vez de se defender, apropriou-se do momento. Um gesto digno da própria Miranda. Mais recentemente, veio a público outro detalhe curioso dos bastidores reais. A estilista Leslie Fremar afirmou ser a inspiração por trás da personagem Emily, afinal, foi ela quem contratou Weisberger e trabalhou ao lado dela por oito meses. Quando soube da existência do livro, recebeu uma ligação do escritório de Wintour, que teria concluído: "Ela escreveu um livro sobre nós, e você é pior do que eu." Com a sequência em cartaz, é uma boa hora para voltar ao livro de Weisberger. Ele não documenta a Vogue nem pretende fazê-lo.Por outro lado, reorganiza percepções sobre trabalho, ambição e pertencimento com uma voz que mistura ironia e afeto de um jeito que ainda funciona muito bem. Em 2013, Weisberger publicou A Vingança Veste Prada, continuação que acompanha Andy numa fase bem diferente da vida e que aprofunda o que ficou mal resolvido no primeiro livro.